(FOLHAPRESS) – Já faz mais de 20 anos que o ator português Ricardo Pereira, 46, atua em novelas e séries brasileiras. Com o passar do tempo, seu sotaque foi ficando tão neutro que ele chega a “enganar” os menos atentos e até a confundir os fãs em sua terra natal.
“Hoje em dia, não faço nenhum esforço. Gosto de estar pleno em qualquer lugar e preparado para todo o tipo de personagem. Preciso ter ferramenta a oferecer. No meu país de origem, me dizem que uso expressões do Brasil”, comenta.
“Ao mesmo tempo que não tenho sotaque de nenhum lugar, considero ser uma mistura de todos”, avalia. “Hoje é natural eu mudar automaticamente a chavinha numa conversa em Portugal ou com brasileiros. A maioria das pessoas fala que sou brasileiro.”
Em “Coração Acelerado” (Globo), onde pode ser visto atualmente, Pereira adicionou mais um deles ao repertório: o goiano. Na trama, ele vive Jean Carlos, um homem do interior de Goiás. O personagem, que não tem muitos escrúpulos, é o verdadeiro pai de Agrado (Isadora Cruz), embora não saiba disso.
A jovem, por sua vez, cresce sem saber a verdade sobre a índole de seu pai.
“Ele chega para causar tumulto, não gosta de deixar ninguém tranquilo. Tem várias facetas, boa prosa, sabe como levar as pessoas no papo, sempre com o intuito de se dar bem. Ele não vem para perder”, adianta o ator.
Com a ideia de cada vez mais internacionalizar sua carreira, Pereira conta que tem como rotina estudar idiomas para poder apresentar novos atributos aos autores e diretores que o contratam. Foi assim que ele aprendeu a falar espanhol e francês.
“Gosto de me colocar em posição de recomeçar, aprender e encarar um novo desafio. Nos últimos dois anos, tenho vindo trabalhar na Espanha, já fiz série e filme em espanhol -e curto entrar em mercados diferentes”, avalia ele, que no streaming do país está no ar com “Lume”, uma minissérie policial sobre incêndios na Europa, e “Eva & Nicole”, sobre eventos festivos dos anos 1980.
Também por conta desse livre trânsito internacional que durante duas décadas o ator se destaca como uma espécie de embaixador cultural informal entre Brasil e Portugal. Já levou artistas daqui para atuarem lá e vive-versa.
Para ele, promover encontros entre profissionais dos países irmãos é o que interessa. “O mundo se tornou muito globalizado. Antes, as pessoas faziam suas vidas num único lugar e agora há mais possibilidades”, comemora.
Atualmente, Pereira mora em Portugal por estar mais perto da Espanha e da França, locais para onde tem viajado com frequência. Ao Brasil, vem sempre que tem gravações e outros trabalhos. Para 2026, já gravou participação em “Fúria”, série brasileira sobre clubes de luta que deve chegar em breve à Netflix.
Com o coração espalhado por vários países, ele afirma que ficará dividido caso precise escolher apenas um país para torcer na Copa do Mundo. Amante do futebol, o ator divide a estretégia que pretende adotar.
“O Brasil é o país do futebol e já ganhou cinco títulos mundiais. Meus três filhos nasceram no Brasil, torcemos por ambos os países, mas chegou a vez de deixarem Portugal ganhar a primeira”, brinca.


