Um vídeo que circula nas redes sociais mostrando a cantora Ana Castela supostamente liberando gases durante uma apresentação ao vivo rapidamente viralizou e virou motivo de piadas e comentários. A repercussão do episódio reacendeu um tabu antigo: a ideia de que a flatulência é algo vergonhoso, sobretudo quando envolve mulheres. No entanto, sob a perspectiva médica, eliminar gases é uma função fisiológica natural do organismo humano, sem relação com gênero ou comportamento inadequado.
Especialistas explicam que o corpo produz gases como parte normal do processo digestivo. Em média, um adulto saudável elimina cerca de 1,5 litro de gases por dia, sendo que uma parcela significativa dessa liberação ocorre durante o sono. Também é considerado normal que uma pessoa solte gases entre 10 e 20 vezes ao dia. Apesar disso, muitos indivíduos, especialmente mulheres, tendem a reter os gases por constrangimento social, o que pode gerar desconfortos e até problemas de saúde. Um exemplo citado por médicos é o caso da ex-BBB Pocah, que precisou ser hospitalizada após segurar gases por um período prolongado. Veja o vídeo abaixo:
Ana Castela nega que seja ela em vídeo de câmera com sensor de temperatura e brinca: “Eu não peido” pic.twitter.com/1kWndX60eU
— SERTANEJO NA NET (@sertanejonanet) January 29, 2026
A produção de gases ocorre principalmente durante a digestão e a fermentação de alimentos no trato gastrointestinal. Bactérias presentes no intestino fermentam carboidratos que não foram completamente digeridos, liberando substâncias como hidrogênio, dióxido de carbono, metano e compostos sulfurados. Esses gases se acumulam e são eliminados pelo ânus em um processo conhecido como flatulência. Além disso, o organismo também pode expulsar o ar engolido durante as refeições, algo comum quando a mastigação é inadequada ou quando se fala enquanto come.
A médica Ivia Magalhães, especialista em Doenças Funcionais do Aparelho Digestivo pelo Hospital Albert Einstein, esclarece que não é possível identificar doenças apenas pelo cheiro ou pelo som dos gases. Segundo ela, avaliações médicas são indicadas quando o desconforto se torna frequente ou persistente. Alguns padrões, no entanto, podem ser observados. Gases produzidos pela fermentação de carboidratos, como feijão, batata e alimentos ricos em fibras, costumam ser eliminados em maior volume e com pouco odor, já que não contêm enxofre. Já gases com cheiro mais intenso geralmente indicam a presença desse elemento, associado à digestão de alimentos ricos em proteínas ou compostos sulfurados, como ovos, alho, cebola, brócolis e couve-flor. Frequência elevada também pode estar relacionada à má absorção de nutrientes, intolerâncias alimentares ou desequilíbrio da microbiota intestinal.
A produção excessiva de gases pode sinalizar uma dieta rica em alimentos fermentáveis, conhecidos como FODMAPs, intolerâncias alimentares, disbiose intestinal ou distúrbios como a síndrome do intestino irritável. A constipação intestinal também contribui para o aumento dos gases e para o odor mais forte, já que as fezes permanecem por mais tempo no intestino. Quando sintomas como dor abdominal, distensão, arrotos frequentes ou perda de peso surgem de forma recorrente, a orientação é procurar avaliação médica.
De modo geral, pessoas saudáveis apresentam gases com odor leve, e a frequência varia conforme a alimentação e os hábitos diários. Para reduzir o excesso, recomenda-se diminuir o consumo de alimentos que favorecem a formação de gases, comer devagar, mastigar bem, evitar falar durante as refeições, manter uma rotina de exercícios físicos, ingerir ao menos dois litros de água por dia e incluir probióticos, como iogurte, kefir e kombucha, na alimentação.


